Sabedoria felina

Pedi para o meu gato, Miu-Miu, que me ajudasse a guardar o leite dentro do armário embaixo da pia. Coloquei a caixa com os leites no chão próximo ao armário e Miu-Miu se aproximou. A cada leite que eu pegava, ele dava uma unhada na embalagem. Não era bem essa a ajuda que eu queria, mas vai entender o que se passa na cabeça de um gato! No penúltimo leite, ele conseguiu furar a embalagem longa vida que me parecia tão resistente. Diante do fato e do furo e com Miu-Miu me olhando com cara de inocente, não me restou outra alternativa senão ferver o leite para que pudesse tomá-lo sem ter pesadelos depois acerca de bactérias cruéis que vivem nas unhas dos gatos prontas para invadir a fauna intestinal dos humanos.

Como o leite ainda não dava sinais de fervura, fui guardar uns objetos no quarto no fundo do corredor. Lá, esqueci completamente o leite. Após uma breve arrumação numa das camas, fui em direção à cozinha, não por causa do leite, que continuava esquecido, mas por outro motivo que agora não me lembro. Mas ao chegar lá, senti imediatamente o cheiro de queimado. “O leite...”, disse ao mesmo tempo que olhei para o fervedor em cima do fogão.

Miu-Miu entrava na cozinha com seu andar de quem passeia pelo bosque, quando o peguei no colo e mostrei-lhe o leite derramado. Disse-lhe que a culpa de tudo aquilo era sua, ao que ele retrucou, com a sabedoria de um felino: “Não adianta chorar...”