Romance juvenil ainda sem nome (pequeno trecho)

Essa história de ter sonhado com o Mauro está me incomodando. Agora, nem consigo mais olhar para ele! Como se ele soubesse de tudo. Parece que, se eu olhar, ele vai me dizer: “Aha! Sonhou comigo, hein?! Tô sabendo...” Que vergonha! E foi só um beijinho!

Um beijinho! A Talita nunca beijou na boca, como ela pode sonhar? Se bem que outro dia sonhei que estava numa noite de amor com o professor lindo e maravilhoso e eu ainda nem experimentei a coisa.

20 de abril, quinta-feira

Demorei para pegar no sono de ontem para hoje. Estava com medo do que poderia sonhar dessa vez!

Será que podemos sentir em sonho algo que nunca vivenciamos?

Eis a questão!

24 de abril, segunda-feira

VIVA!

Uma revelação!

Entrei na classe, procurei um lugar perto da Cíntia e da Ana Cláudia, mas não encontrei. Só havia lugar na frente (elas estavam sentadas no meio da classe). A Cíntia disse para eu pegar uma carteira que ela arrumava um espaço na fileira onde ela estava. Eu peguei uma carteira, mas não havia jeito de eu passar com ela, então o Mauro (ele mesmo, o do sonho!), que estava sentado ao lado da Ana Cláudia, levantou e pegou a carteira para mim e pôs ao lado dele. Eu, então, atravessei a fileira e sentei.

Enquanto eu passava, os caras que estavam na fileira de trás fizeram: “Eeeeh!” No sentido de: “Aí, tem!” Eu sentei e permaneci sentada. Em seguida, os caras saíram da classe. Logo depois, o Clóvis (que estava sentado três fileiras atrás de mim, ao lado do Renato) disse: “Ô, Mauro, o Renato tá com ciúme.” O Mauro olhou para trás e deu um sorriso, depois olhou para mim, mas eu continuei impassível. Ele continuou olhando para trás e para mim. Eu fiquei na minha, mas por dentro estava dando pulinhos de alegria. Ou essa não foi uma confirmação de que o Renato está mesmo interessado em mim? E mais: o sonho com o Mauro foi uma premonição! UAU!