
| Diálogo quase inútil com o espelho | ||
Então, espelho, o que você me diz? Uma cabeça, dois braços, um tronco, duas pernas e dois buracos no meio. De costas? Uma cabeça, dois braços, um tronco, duas pernas e dois buracos no meio. De lado? Uma cabeça, um braço, um tronco, uma perna e dois buracos no meio. Do outro? Uma cabeça, um braço, um tronco, uma perna e dois buracos no meio. De cabeça para baixo? Duas pernas, dois buracos, um tronco, dois braços e uma cabeça no meio. Nada de novo. Espere... E agora? Uma cabeça de óculos, dois braços, um tronco, duas pernas e dois buracos no meio. De costas? Uma cabeça de óculos, dois braços, um dos braços com uma pinta... Ops! Um dos braços com uma pinta. Pinta marrom claro, ovalada, bordas irregulares. Esquisita, engraçada, feia, bonita, repulsiva, simpática. Minha. Não vou mostrar pra ninguém. * Uma cabeça, uma capa. Talvez eu mostre minha pinta pra alguém. * Uma capa. Tinha gente com pintas mais interessantes pra mostrar. * Uma ferida. * Uma capa. Tinha gente de capa também. * Um tumor. * Uma capa. * Uma capa. * Uma capa. * Uma cabeça, uma capa. Tive vontade de tirar a capa. * Uma ferida. * Uma cabeça, uma camisa. Abri a camisa. * Uma cicatriz. * Uma cabeça, uma camisa aberta. Tirei a camisa. * Uma pinta. * Uma cabeça, um dos braços com uma pinta. Mostrei minha pinta pra todo mundo. * Uma cabeça, dois braços, um dos braços com uma pinta, um tronco, duas pernas e dois buracos no meio. * * * Papéis, muitos papéis, escritos. Comuns? Não, todos com uma pinta. |