| A visita |
A porta abriu e ela entrou, assim, sem mais nem menos. Parecia estar na casa dela e eu, que em minha casa estava, me senti estranha. Quis saber quem era, mas não sei porque, fiquei muda, apenas a observei fechar a porta e vir em minha direção. O olhar cego me fez pensar que poderia ter entrado na casa errada, mas disse meu nome. A voz familiar trouxe-me o passado. Me vi nos seus olhos refletida no espelho. O que você fez? Suas mãos apertaram minha garganta, as unhas entraram na carne, sangrei até não mais poder respirar. Calma, olhe em volta. Tirou as mãos de cima de mim e apontou para a imagem de plasma, ela e eu no espelho, quem éramos? O que você fez? Suas mãos novamente apertaram minha garganta novamente sufoquei, tente agora; o ar quase me faltava, mas consegui empurrá-la. Liguei a TV, cenas de ontem, eu falando com alguém, outros personagens surgiam, vozes entrecortadas não me deixavam distinguir. Você consegue. As mãos se aproximaram lentamente, pesadas, incontroláveis apertaram também meu coração. Uma lágrima brotou. Ela sorriu para mim e eu, aliviada, chorei. |
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