Amor imortal

Cris e Edu viviam juntos há dois anos e meio. Esperavam juntar um pouco mais de dinheiro para casar na Igreja com festa e lua-de-mel. Trabalhavam no mesmo hotel, fazendo turnos sempre nos mesmos horários para não haver desencontros. Por vezes, eram flagrados aos beijos nos corredores pelos colegas de trabalho, que os advertiam, mas sempre em tom amigável. Todos presenciavam o amor que os unia.

Aquele dia não havia sido diferente. Voltaram do serviço às onze horas da noite e, cansados, foram dormir. Naquela noite, Edu teve um sonho que lhe deixou ao mesmo tempo intrigado e com sentimento de culpa. Sonhara com outra mulher. Uma senhora, talvez uns 50 anos. Possuía um rosto familiar. Ela o abraçava e o beijava em um clima de muita intimidade. Estavam sozinhos, felizes, mas o lugar não era reconhecível. Parecia uma outra dimensão, algo muito comum em sonhos. Mas sonhar com aquela mulher havia sido a primeira vez. Tentou se lembrar, ao acordar, de quem poderia ser. A sensação de tê-la visto antes e até mesmo de ser íntimo dela o deixou intrigado.

O sonho, que parecia tão real, permaneceu em sua mente naquela manhã. Estava confuso e envergonhado por ter sonhado com outra. Por isso, não contou nada à Cris. Disse-lhe apenas que não iria trabalhar de manhã, pois estava com dor de cabeça. Pediu a ela que avisasse seu chefe e que não se preocupasse. Cris estranhou muito aquela atitude, afinal ele estava de um jeito diferente. Percebendo a insegurança de sua namorada, Edu a tranqüilizou com um beijo e alguns “eu te amo”.

Mais tarde no hotel, Cris recebeu a notícia da tragédia. O ônibus em que estava Edu havia se chocado contra um caminhão. Edu estava morto. Amparada pelos colegas, Cris se desesperava com a perda de seu amor.

Trinta anos depois, Cris foi encontrada morta em sua cama, vítima de um infarto fulminante. Estava com 50 anos. Castigado pelo tempo, seu rosto pouco lembrava o da jovem que um dia trabalhara num hotel. Havia se casado com outro, mas a relação não dera certo. Seu casamento durara apenas sete meses e ela nunca mais quisera saber de outro homem. Perdera a vontade de sonhar. Porém, naquela noite, tivera um sonho muito especial. Sonhara com Edu.